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Seis tecnologias que devem ganhar espaço nos próximos 10 anos na saúde

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Especialistas concordam que prever o futuro da tecnologia na área de saúde não é difícil — Machine Learning (ou Aprendizado de máquina), inteligência artificial (IA), tecnologias de nuvem que se aplicam a processos clínicos, de trabalho e financeiros terão uma incorporação melhor e mais rica à indústria.

Mas, para chegar lá, os profissionais de saúde precisam estabelecer as bases culturais hoje para as mudanças tecnológicas que estão por vir na próxima década.

Por exemplo, investir em IA nos próximos cinco anos poderia custar, aproximadamente, mais de US$30 milhões por organização, de acordo com uma pesquisa[1] realizada pela OptumIQ com 500 executivos da área de saúde, publicada em novembro de 2018. No entanto, 38% dos empregadores e 20% dos planos de saúde acreditam que veriam um retorno desse investimento em quatro anos ou menos. Em última análise, 94% dos entrevistados veem investimentos em tecnologias, como a IA, como o caminho mais claro para a saúde equitativa e acessível no futuro, tanto em termos financeiros e de disponibilidade.

Mas para realizar essas possibilidades futuras, a mudança de cultura precisa acontecer nos cuidados de saúde hoje, diz Tom Lawry, diretor mundial de saúde da Microsoft. Ele acrescenta que o futuro da tecnologia da área médica depende mais da cultura e da estrutura que estão sendo criadas por líderes clínicos e empresariais hoje.

"O que será realmente necessário no futuro não é apenas o avanço da tecnologia, mas avanços no pensamento criativo e na capacidade dos líderes de pensar de forma diferente ao redefinirem seus processos para alavancar o poder das tecnologias, em vez de tentar inserir essas novas tecnologias em uma estrutura já estabelecida", diz Lawry.

Anil Jain, vice-presidente e diretor de informações do Watson Health na IBM, diz que as organizações de saúde precisarão se livrar do estigma de serem burocráticas e lentas para se adaptarem, a fim de serem ágeis o suficiente para adotar tecnologias futuras.

"As organizações de saúde precisam começar a impulsionar a agenda que diz que a inovação é importante para a saúde. As pessoas fora da área da saúde veem a indústria como muito conservadora, muito lenta para se adaptar.", diz Jain. Mas quando se fala com pessoas dentro da indústria, todos pensam que estão se movendo muito, muito rapidamente. A chave é que essas organizações de saúde se envolvam no debate nacional, a nível de defesa do tema, e aconselhem os outros sobre o que a indústria precisa, de modo que o movimento seja feito coletivamente."

Esses e outros especialistas deram suas ideias sobre onde a tecnologia de saúde será mais impactante na próxima década. Confira:

Melhor integração da nuvem com tecnologias existentes

Embora os dispositivos que coletam dados digitais sejam importantes para a saúde, a forma como esses dados são compartilhados é a parte mais essencial da equação, diz Lawry.

Mais de 90% das organizações de saúde estão utilizando amplamente a nuvem para hospedar aplicativos, de acordo com uma pesquisa[2] da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) de 2017 sobre uso da nuvem. No entanto, o setor ainda está usando a nuvem para funções separadas, como aplicativos clínicos, hospedagem de dados e backup, e não de forma holística. A pesquisa da HIMSS descobriu que, embora exista um alto nível de uso da nuvem nas organizações médicas, a funcionalidade ainda é limitada.

O uso da integração na nuvem permitiu que dados de diferentes departamentos da área médica fossem compartilhados e, à medida que mais organizações continuam conectando esses pontos, Lawry diz que isso vai transformar a indústria.

“Todo mundo está digitalizando seus dados, sejam prontuários médicos eletrônicos ou raios-X. Mas a digitalização de dados não faz nada além disso. Ele muda os dados de um formulário para outro.”, diz Lawry. “A transformação que é trazida pela nuvem e por juntar esses dados permite todos os tipos de coisas interessantes. Isso para nós é o aspecto transformacional número um daqui para frente nos próximos anos.”

Infusão mais profunda de IA

A inteligência artificial faz parte da área de saúde há anos, mas especialistas acreditam que, na próxima década, ela será uma parte regular da indústria. Uma pesquisa[3] da Intel Corporation com 200 profissionais de saúde, divulgada em julho de 2018, descobriu que 37% dos entrevistados estavam usando IA de forma limitada, e 54% acreditam que haverá ampla adoção de IA nos próximos cinco anos.

John Doyle, diretor de estratégia de negócios da Worldwide Health Industry na Microsoft, diz que, no futuro, devemos esperar ver a IA infundida em todos os aspectos do fluxo de trabalho clínico e operacional.

“Estamos no início da jornada para adoção de nuvem e IA hoje, mas já estamos começando a ver alguns avanços incríveis sendo feitos e esperamos que isso continue, com uma adoção mais ampla da IA aplicada em áreas como a interpretação clínica de conjuntos de dados complexos, imagens médicas, integração de voz e insight em tempo real de dados de dispositivos médicos e sensores de streaming”, diz Doyle.

Como uma nova geração de serviços focados no consumidor visa unir as jornadas dos pacientes e dos consumidores, a IA aplicada modificará radicalmente a maneira como os pacientes se engajam com os profissionais de saúde hoje em dia, diz Doyle.

“A IA aplicada tem o potencial de reduzir a complexidade de como os dados de assistência médica são capturados e analisados. Exemplos disso incluem como a integração inteligente de voz e as tecnologias de bot estão sendo usadas durante consultas virtuais para reduzir o tempo gasto na entrada de dados por pacientes e médicos e como o conhecimento clínico pré-treinado pode ser aplicado no ponto de atendimento”, diz Doyle.

Atualizações de infraestrutura que tornam os serviços de saúde mais acessíveis

A capacidade dos médicos se encontrarem com pacientes via portais e aplicativos na web e em dispositivos móveis é essencial para o gerenciamento de cuidados crônicos, diz Rhonda Collins, diretora de enfermagem da Vocera e fundadora do American Nurse Project.

“A maioria dos EUA ainda é rural. Portanto, precisamos confiar na tecnologia para preencher as lacunas nas conexões humanas nos serviços de saúde — a telessaúde será mais importante no futuro, à medida que a infraestrutura e a tecnologia continuarem melhorando. Hospitais e clínicas precisarão se preparar para um mundo que a tecnologia está tornando menor”, diz Collins.

Um relatório[4] de 2017 divulgado pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA descobriu que 50% dos municípios americanos abrigam pessoas que têm altas ocorrências de doenças crônicas e uma maior necessidade de conexão de banda larga. A Comissão cunhou isso como um “duplo fardo”, e incidentes podem chegar a 60% nos condados rurais.

“Isso torna a consulta remota com um médico ou vídeo chat muito difícil, mas a situação está melhorando e, com o tempo, acho que o atendimento remoto em casa será mais valioso nas áreas rurais, onde o uso da tecnologia é muito mais prático do que uma longa viagem para ver um médico.”, diz Collins.

Conforme a expansão da telessaúde continua com os reembolsos do Medicare, os pacientes ainda não sabem sobre sua disponibilidade e uso. Uma pesquisa[5] divulgada pela Healthline em agosto de 2018 descobriu que 46% dos membros do Medicare Advantage não tinham certeza se a telessaúde era uma opção, e 37% afirmaram que a telessaúde não era oferecida, sendo que de fato ela é. No Brasil as discussões sobre telessaúde ainda estão começando, e o CFM ainda não definiu as regulações para seu uso.

Collins acrescenta que os hospitais ainda carecem de serviço Wi-Fi em larga escala e conexões de internet consistentes, o que impede a integração da telessaúde e outras ofertas de saúde móvel.

“Essas questões básicas tornam muito difícil trazer a tecnologia para fornecer cuidados extraordinários e conectividade a todos os pacientes em todos os lugares. As atualizações de infraestrutura são essenciais, e isso deve ser o foco de muitos hospitais, para que possam aproveitar as excelentes tecnologias que melhoram a vida dos pacientes e dos médicos.”, diz Collins.

Terapias mais inteligentes

Apesar dos smartphones, relógios smartwatch e outros dispositivos inteligentes estarem sendo usados pelos consumidores, um foco em “inteligente” não se traduziu em soluções de saúde, diz Kal Patel, presidente da BrightInsight, uma empresa que fornece plataformas na internet para tecnologia médica e biofarmacêutica.

“Em geral, muitas soluções de saúde não têm significado. Elas não são realmente smart (ou espertas).”, diz Patel. “Os dados destes dispositivos não são coletados, ou são coletados, mas permanecem em algum tipo de ambiente local que limita inerentemente o valor que você pode obter com isso.”

Patel diz que, na próxima década, dispositivos de distribuição de medicamentos como canetas de insulina, autoinjetores biológicos, inaladores e embalagens inteligentes para pílulas serão comuns para melhorar as operações clínicas e de negócios na área da saúde. O objetivo de rastrear os dados de saúde coletados por dispositivos inteligentes é expandir o entendimento dos comportamentos que podem ajudar a melhorar o atendimento ao paciente. Patel diz que a capacidade de observar como os pacientes usam terapias crônicas, tanto dentro de ambientes clínicos como em casa ou em ambientes de internação, é aprimorada pelo uso integrado de inteligência artificial e nuvem.

“A maior parte dessa tecnologia já existe, então, nos próximos cinco a dez anos, trata-se de desbloquear esses dados. Uma vez que você possa desbloquear esses dados, poderemos realmente ver o progresso usando inteligência artificial e aprendizado de máquina nesses conjuntos de dados.”, diz Patel.

Jain diz que o IBM Watson está atualmente estudando conceitos sobre a prescrição de terapias digitais que podem ser alimentadas por blockchain e inteligência artificial e ser adaptadas ao comportamento dos pacientes.

Blockchain (também conhecido como “o protocolo da confiança”) é uma tecnologia de registro distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado.

"Não seria realmente interessante se eu prescrevesse um remédio antidiabético e eu também estivesse prescrevendo um aplicativo no smartphone do paciente que garanta que ele mantenha aderência ao tratamento? Se a prescrição tem efeitos colaterais, o paciente é informado sobre quando deve consultar o médico a respeito dos efeitos sentidos ou quando pode simplesmente ignorá-los.”, diz Jain.

Ele diz ainda que terapias mais inteligentes também podem prescrever dietas que funcionam em conjunto com medicamentos prescritos e dar aos pacientes mais feedback sobre seu progresso.

"A ideia é que temos que ir além da pílula.", diz Jain. "Como médico, tem que haver uma maneira melhor de ter os olhos virtualmente nos pacientes, mesmo quando eles não estão na minha sala de exame, quatro vezes por ano, durante 15 minutos."

Cuidados médicos personalizados aprimorados

Na próxima década, os médicos terão a capacidade de usar o blockchain, machine learning e a inteligência artificial de forma transparente para oferecer atendimento especializado aos pacientes, diz Jain.

"A maior mudança será a nossa capacidade de usar essas tecnologias avançadas como facilitadores para melhorar muito a medicina e a assistência médica personalizadas oferecidas aos nossos pacientes.", diz Jain. “Porque a tecnologia da saúde está processando todos os dados clínicos e administrativos destes pacientes, analisando seu perfil genômico, observando suas determinações sociais de saúde muito mais rapidamente do que qualquer médico humano, e combinando essas informações de maneira confiável.”

Jain diz ainda que os dispositivos de acompanhamento fitness, como wearables, smartwatches, pulseiras fitness, etc. estão atualmente coletando dados isolados, mas são uma parte importante da equação quando os dados puderem ser integrados junto com outros dados determinantes da saúde. Em última análise, ele diz que tratamentos mais personalizados, especialmente para condições crônicas, aumentariam a adesão aos planos de tratamento.

“Essencialmente, um médico terá a capacidade de combinar evidências e escolhas personalizadas para dar aos pacientes uma probabilidade muito maior de serem bem-sucedidos no primeiro conjunto de tratamentos que é oferecido, em vez de apenas atuar de maneira baseada em evidências, o que algumas vezes faz com que seja necessário ir e voltar algumas vezes em diferentes tratamentos tentando descobrir o que melhor funciona para o paciente em questão.", diz Jain.

Fluxo de trabalho que imita a tecnologia do dia a dia

Collins diz estar esperançosa de que a tecnologia de fluxo de trabalho que a área da saúde adota nos próximos 10 anos irá combinar e se adaptar à tecnologia que as pessoas estão acostumadas em outras áreas de suas vidas.

“Antes de um turno hospitalar, alguém pode sentar em seu carro e comprar ingressos de cinema, fazer reservas para o jantar e conversar com os amigos — tudo a partir de seu smartphone. Daí essa pessoa entra no hospital para um dia de trabalho e, muitas vezes, o cenário da tecnologia é totalmente diferente.”, diz Collins.

Ela teme que os processos e dispositivos antiquados nos locais de trabalho de assistência médica sejam um impedimento para os Millennials antenados em tecnologia.

“Quando a geração do milênio vai trabalhar em um hospital, pedimos a esses médicos, enfermeiras e equipes de atendimento que retrocedam 20 anos e usem telefones fixos, aparelhos de fax, pagers e chamadas em alto-falante — tudo isso acrescenta complexidade aos processos e rebaixa a qualidade da força de trabalho. Eles carregam uma carga pesada todos os dias trabalhando com pacientes em ambientes hospitalares estressantes, e a própria tecnologia que eles estão usando, que deveria ajudar, apenas aumenta o estresse.”, diz Collins. “Além disso, estamos aumentando as cargas cognitivas, forçando-os a se lembrar de procedimentos e a usar tecnologias ultrapassadas que não estão naturalmente acostumados a usar. Assim, ao longo do tempo, a tecnologia antiquada que não reflete o que é usado em nossa vida pessoal e não é segura será eliminada. À medida que os jovens continuam a ingressar no mercado de trabalho, muitos hospitais serão forçados a se modernizar.”

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A tecnologia na área de saúde evolui constantemente, sem dúvidas, mas pelo conservadorismo próprio da área, percebemos que a adoção das novas possibilidades ocorre de forma muito mais lenta que em outros setores de nossas vidas. Porém, com todos os avanços recentes e a aplicação pioneira em diversas áreas, inclusive próximas à saúde, podemos de fato esperar que essas novas tecnologias ganhem espaço e transformem a medicina e os cuidados de saúde na próxima década.

 

Fonte: Managed Healthcare Executive

Referências

[1] Artificial Intelligence Key to Improving Health Care Quality, Reducing Costs, Industry Leaders Say, disponível em businesswire.com.

[2] 2017 Essentials Brief: Cloud, disponível em himssanalytics.org.

[3] U.S. Healthcare Leaders Expect Widespread Adoption of Artificial Intelligence by 2023, disponível em newsroom.intel.com.

[4] Mapping Broadband Health in America 2017, disponível em fcc.gov.

[5] As CMS Seeks to Advance Virtual Care: 46% of Medicare Advantage Plan Members Unsure if Plan Offers Telemedicine, another 37% Say it is Not Offered: HealthMine Survey, disponível em prnewswire.com.

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