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Anamnese em otorrinolaringologia - uma nova abordagem com o uso de IA

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Grande parte dos desafios em otorrinolaringologia começa na anamnese: diversos sintomas comuns apresentados pelos pacientes, como obstrução nasal, rouquidão ou tontura podem ter origens muito distintas, de condições benignas e transitórias até doenças crônicas ou mesmo graves.

Diferenciar essas possibilidades exige uma coleta de informações estruturada e detalhada, que inclui antecedentes, hábitos de vida, histórico ambiental e ocupacional, além de descrições minuciosas do início e da evolução dos sintomas.

No entanto, as circunstâncias dificultam a realização desse processo de coleta de dados de forma ideal: consultas rápidas podem deixar lacunas importantes; a variedade de sintomas simultâneos dificulta a organização dos registros; e a digitação manual consome tempo que poderia ser dedicado à observação clínica.

A inteligência artificial (IA) pode ser a solução para reverter esse cenário, transformando a abordagem da anamnese nas consultas de otorrino. As mais recentes inovações nesse campo estão trazendo para a realidade dos consultórios e clínicas novas ferramentas capazes de automatizar registros, sugerir perguntas específicas, padronizar descrições e gerar resumos prontos para o prontuário eletrônico, sem comprometer a personalização do atendimento.

Descubra nesse artigo quais são essas ferramentas e os benefícios que trazem para o médico otorrinolaringologista, e veja também aplicações avançadas que estão sendo estudadas para essa especialidade.

Particularidades da anamnese em otorrinolaringologia

Diferente de outras áreas, a anamnese em otorrino deve contemplar múltiplos sistemas interligados: ouvido, nariz, seios paranasais, garganta e laringe. Alguns exemplos:

  • Orelha: o médico precisa investigar otites recorrentes, perda auditiva, zumbido, otorreia, vertigem e exposições ambientais como ruído intenso ou viagens aéreas.
  • Nariz e seios paranasais: obstrução nasal, rinorreia, crises de espirros, cefaleia, sinusites de repetição e uso frequente de descongestionantes são dados que não podem faltar.
  • Garganta e laringe: queixas como rouquidão, disfagia, dor de garganta, tosse crônica e sinais de refluxo gastroesofágico têm grande relevância clínica.

Além disso, é essencial registrar fatores agravantes ou de risco: tabagismo, alergias, histórico familiar, profissão e exposição a agentes químicos ou poeira. O exame físico, muitas vezes complementado por exames de imagem e outros, só faz sentido pleno quando bem contextualizado pela história clínica.

IA como facilitadora da anamnese: aplicações práticas

1. Transcrição em tempo real

A IA é capaz de transcrever automaticamente o diálogo entre médico e paciente, capturando tanto a queixa principal quanto os detalhes complementares. Isso reduz a necessidade de digitação, permitindo que o especialista mantenha contato visual, observe expressões, avalie a voz do paciente e se concentre no exame físico.

2. Sugestão de perguntas direcionadas

Com base no que foi dito até o momento, no histórico disponibilizado e nas anotações realizadas, a IA pode sugerir ao médico perguntas adicionais relevantes. Por exemplo:

  • Se o paciente relata rouquidão persistente, a IA pode lembrar de investigar tabagismo, refluxo ou esforço vocal.
  • Em quadros de obstrução nasal, pode sugerir perguntar sobre histórico de alergia, uso de sprays descongestionantes ou frequência de infecções sinusais.

Esses insights funcionam como checklists inteligentes, evitando omissões e garantindo que a anamnese seja abrangente.

3. Geração automática de resumos clínicos

Um dos maiores ganhos é a capacidade da IA de sintetizar as informações coletadas em resumos estruturados, prontos para inclusão no prontuário eletrônico. Isso pode ser feito em dois formatos:

  • Histórico clínico tradicional: um texto contínuo que integra antecedentes, evolução do quadro, achados do exame físico e condutas adotadas.
  • Modelo SOAP: dividido em Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano, padronizando os registros e favorecendo o raciocínio clínico.

4. Organização das informações em blocos estruturados

Outra possibilidade é a segmentação inteligente dos dados. A IA categoriza as informações em blocos temáticos, como sintomas, alergias, histórico familiar, doenças pregressas e medicamentos em uso. Essa estrutura facilita a visualização rápida de dados relevantes para a consulta, ajudando a guiar o raciocínio clínico.

Benefícios específicos para o otorrinolaringologista

  • Mais tempo para o exame físico: com a IA cuidando dos registros, o médico pode dedicar maior atenção à nasofibroscopia, otoscopia ou à análise da voz do paciente, por exemplo.
  • Menos risco de omissões: sintomas de diferentes sistemas muitas vezes se confundem; a IA ajuda a não deixar de fora informações relevantes.
  • Melhor acompanhamento longitudinal: doenças como rinite alérgica, perda auditiva progressiva ou disfonia crônica exigem registros consistentes ao longo de meses ou anos.
  • Agilidade no raciocínio clínico: ao resumir e estruturar dados, a IA facilita a análise para que o médico avance a investigação e estabeleça as hipóteses diagnósticas.

Integração com o prontuário eletrônico

Na prática, a inteligência artificial mostra seu maior valor quando está integrada diretamente ao software médico, e não como uma ferramenta isolada. Essa integração garante que todos os recursos citados já estejam disponíveis dentro do fluxo natural da consulta, sem exigir exportações, cópias manuais ou o uso de aplicativos paralelos.

Softwares médicos como o HiDoctor já oferecem esse modelo de integração. O resultado vai além da conveniência, oferecendo ao médico:

  • mais eficiência, pois não é preciso alternar entre diferentes plataformas;
  • mais qualidade, já que as informações geradas pela IA são automaticamente organizadas e salvas no prontuário;
  • e, sobretudo, mais segurança, com dados sensíveis armazenados dentro de um ambiente protegido e em conformidade com a legislação brasileira sobre sigilo e proteção de informações em saúde.

Outro ponto importante é a continuidade do atendimento. Com a IA integrada ao prontuário, cada consulta acrescenta dados estruturados e facilmente consultáveis, formando uma linha do tempo organizada da saúde do paciente.

Considerações éticas e práticas

O uso de IA nas consultas exige atenção principalmente a esses três pontos:

  • Revisão médica: os registros gerados devem ser validados pelo especialista antes de serem salvos no prontuário.
  • Consentimento informado: o paciente precisa saber e concordar que sua consulta seja ouvida, transcrita e analisada por IA.
  • Proteção de dados: gravações de voz, resumos e relatórios clínicos devem seguir normas de sigilo e segurança da informação.

Tendências avançadas de IA em otorrinolaringologia

Um estudo[1] bibliométrico recente analisou 498 artigos publicados entre 1982 e 2024 sobre o uso da IA em otorrinolaringologia, identificando tendências-chave no campo.

  1. Diagnóstico e estadiamento de tumores de cabeça e pescoço
    A IA aplicada à radiômica (ou seja, à extração automatizada de características quantitativas de imagens radiológicas) pode ajudar na detecção precoce, estratificação de risco e decisão terapêutica nos tumores ORL. Isso inclui análise de ressonância magnética e tomografia computadorizada para identificar extensão de doença, comportamento tumoral e resposta ao tratamento.
  2. Avaliação de rinossinusite e doenças inflamatórias crônicas
    Algoritmos podem avaliar padrões anatômicos e de lesão em exames tomográficos de seios paranasais, auxiliando na escolha de abordagem (cirúrgica ou medicamentosa) mais adequada com base na gravidade objetiva.
  3. Otite média e outras condições inflamatórias
    A IA pode melhorar a sensibilidade do diagnóstico via tomografia computadorizada de estruturas do ouvido médio, útil em casos crônicos ou complicados, onde sinais radiológicos sutis podem passar despercebidos.
  4. Foco no paciente: educação e prognóstico
    A crescente atenção à educação do paciente e qualidade de vida sugere que sistemas de IA possam, no futuro, ser usados para prever desfechos clínicos, orientar expectativas terapêuticas e auxiliar no engajamento do paciente por meio de estratégias personalizadas.

Por que isso importa?

  • Complementa a anamnese e documentação clínica: essas aplicações ampliam o papel da IA além do registro, alcançando o apoio direto ao diagnóstico e planejamento terapêutico.
  • Eleva a precisão diagnóstica: ferramentas radiômicas podem identificar alterações que escapariam ao olhar humano ou a análises subjetivas.
  • Apoia decisões complexas: especialmente em casos oncológicos ou cirúrgicos, onde insights fundamentados em dados fazem diferença.
  • Promove cuidado centrado no paciente: ao prever desfechos e educar proativamente, essas soluções podem melhorar adesão, satisfação e segurança.

A inteligência artificial não substitui o raciocínio clínico, mas amplia a capacidade do médico de conduzir consultas mais completas, seguras e bem documentadas. Em otorrinolaringologia, onde múltiplos sistemas se interligam e pequenos detalhes podem alterar diagnósticos, a IA representa uma ferramenta estratégica: libera o especialista das tarefas mecânicas, assegura registros de qualidade e fortalece o acompanhamento longitudinal dos pacientes.

No futuro próximo, as tendências avançadas hoje ainda em fase de estudo poderão ser incorporadas à prática clínica, oferecendo ao otorrinolaringologista uma visão ainda mais precisa e abrangente da condição de cada paciente.

Todos os usuários do HiDoctor já podem aproveitar os benefícios da inteligência artificial integrada ao prontuário eletrônico. O HiDoctor LIVE, nosso módulo de IA, fornece insights clínicos e informações estruturadas em tempo real para resumir e organizar suas consultas, além de possibilitar a transcrição da consulta de forma automática.

O HiDoctor é o único sistema multiplataforma para consultórios e o software mais utilizado por médicos e clínicas no Brasil. A Centralx conta com mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de tecnologias para a área médica.

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Referências

[1] Artificial intelligence in otorhinolaryngology: current trends and application areas, disponível em European Archives of Oto-Rhino-Laryngology.

 

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