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Dicas para médicos que desejam abrir um consultório particular

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Abrir seu consultório particular representa um marco emocionante em sua carreira como médico, mas também pode parecer assustador. A papelada, a logística e as questões legais podem dificultar até mesmo saber por onde começar.

A boa notícia? Você não está sozinho nessa jornada e, com um plano bem definido, você pode estabelecer um consultório próspero que esteja alinhado com sua visão.

Este guia oferece dicas e instruções passo a passo para ajudá-lo a abrir um consultório e crescer com confiança.

Seja você um médico recém-formado abrindo seu próprio consultório ou um especialista que está se desvinculando de um estabelecimento maior para abrir um consultório particular, este artigo irá guiá-lo por todo o processo, desde a elaboração de um plano de negócios até a organização das operações diárias.

Por que abrir um consultório particular?

A decisão de abrir um consultório particular geralmente é motivada pela paixão por oferecer atendimento centrado no paciente, combinada com o desejo de independência profissional. Alguns benefícios importantes de seguir esse caminho gratificante incluem:

  • Autonomia no atendimento: você tem a liberdade de tomar decisões que priorizam seus pacientes sem restrições externas.
  • Melhor relacionamento com o paciente: ao focar em um número menor de pacientes, você pode oferecer um atendimento mais personalizado.
  • Potencial financeiro: embora ter seu próprio consultório exija um investimento inicial, pode gerar recompensas financeiras a longo prazo, sem as limitações de cargos assalariados.
  • Equilíbrio entre vida profissional e pessoal: você controla sua agenda, as políticas do consultório e sua equipe, o que lhe dá flexibilidade na forma como trabalha.

Seja qual for o motivo que o levou a iniciar essa jornada, este guia é para qualquer profissional de saúde pronto para dar o salto para a prática médica privada, incluindo:

  • Médicos recém-formados que desejam iniciar suas carreiras
  • Especialistas que buscam mais independência
  • Médicos experientes que estão deixando grandes clínicas ou hospitais

A seguir, oferecemos uma abordagem clara e passo a passo para ajudá-lo a traçar seu caminho e construir o consultório particular dos seus sonhos.

Guia passo a passo: como abrir um consultório particular como médico

1. Elabore o plano de negócios do seu consultório particular

Antes de tomar qualquer atitude, crie um plano de negócios abrangente. Este documento servirá como base, ajudando você a esclarecer decisões importantes e a garantir financiamento, se necessário. Seu plano de negócios deve incluir:

  • Análise de mercado: pesquise sua região, o público-alvo e os concorrentes.
  • Projeto do espaço do consultório: planeje o layout e considere fatores como fluxo de pacientes, salas de exame, áreas de recepção e outros espaços relevantes.
    • Dica: considere a escalabilidade; certifique-se de ter espaço suficiente para acomodar uma expansão futura.
  • Formação do consultório: determine se você será um profissional autônomo ou trabalhará com outros médicos.
  • Serviços e procedimentos oferecidos: descreva claramente os procedimentos ou especialidades que seu consultório oferecerá.
  • Custos iniciais: detalhe custos como aluguel do espaço e taxas de licenciamento.
  • Orçamento de despesas iniciais e contínuas: as despesas iniciais podem incluir espaço para o consultório e esforços de marketing. Os custos contínuos podem incluir aluguel, contas de luz, água e internet ou folha de pagamento.
  • Projeções de receita: planeje como você irá gerar receita e projete a viabilidade financeira (ou seja, metas trimestrais).

2. Entenda os requisitos legais

Abrir um consultório particular envolve o cumprimento de diversos requisitos legais. A lista abaixo não é exaustiva, mas pode ajudá-lo a criar um plano.

  • Formação da entidade jurídica (ou atuação como pessoa física): no Brasil, é comum o médico atuar como pessoa física (autônomo) ou abrir pessoa jurídica (por exemplo, Sociedade Limitada Unipessoal - SLU, LTDA, ou Sociedade Simples, dependendo do arranjo societário e do enquadramento tributário). A ideia aqui é equilibrar simplicidade, tributação, responsabilidade e plano de crescimento.
    • MEI: apesar de ser uma alternativa muito popular para outros segmentos, em regra a atividade médica não se enquadra como MEI, por ser profissão regulamentada e não constar entre atividades permitidas. Ainda assim, vale mencionar porque muitos médicos consideram essa hipótese no início e acabam migrando para SLU/LTDA por orientação contábil.
    • Dica prática: avalie com um contador (e, se possível, com um advogado) o melhor enquadramento para a sua realidade (ex.: Simples Nacional vs. Lucro Presumido, regras municipais de ISS, custos de folha, etc.).
  • Obtenção de alvarás e licenças: a maior parte das exigências operacionais é municipal/estadual (prefeitura e vigilância sanitária), então o “pacote” varia por cidade e estado. Em geral, você vai lidar com alvará de funcionamento e licença/alvará sanitário; e, dependendo do imóvel e do município, também com exigências do Corpo de Bombeiros (como AVCB/CLCB).
  • Conformidade com as normas da saúde e rotinas do consultório: além de regras de faturamento/convênios e processos administrativos, a abertura do consultório precisa considerar sigilo, prontuário e proteção de dados, que entram tanto na operação quanto na escolha do software e dos fornecedores.

3. Obtenha as licenças médicas e credenciamentos necessários

Sem as licenças médicas e o credenciamento adequados, mesmo os médicos mais qualificados não podem atuar legalmente. Estes são alguns pontos-chave para se concentrar:

  • Registro profissional no CRM: para atuar, você precisa estar regular no Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde atenderá. Se for divulgar especialidade, é importante ter o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) para anunciar como especialista, de acordo com as regras aplicáveis.
  • Regularização do estabelecimento (consultório/clínica): como citado, além do CNPJ e das inscrições pertinentes, é muito comum que o consultório precise de:
    • Alvará de funcionamento (prefeitura) e licença/alvará sanitário (vigilância sanitária); exigências e checklists variam localmente.
    • Cadastro no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde): o consultório/clínica deve estar devidamente cadastrado como estabelecimento de saúde, mesmo quando não há atendimento ao SUS.
    • Exigências de segurança do imóvel (por exemplo, licenças/laudos do Corpo de Bombeiros), conforme regras estaduais e municipais.
  • Credenciamento com convênios e regras de faturamento: se você pretende atender planos de saúde, haverá um processo de credenciamento com operadoras (cada uma com seus prazos e documentação). Na troca de informações com a saúde suplementar, considere também o padrão TISS (ANS) na sua esteira de faturamento/sistemas.
  • Certificação e assinatura digital (quando aplicável): dependendo do seu modelo de prontuário/fluxo (ex.: autenticação robusta, acesso remoto, assinatura de documentos digitais), pode fazer sentido trabalhar com certificado digital (padrão ICP-Brasil) e boas práticas de controle de acesso.

4. Contrate um Seguro de Responsabilidade Civil Profissional

Plano de negócios? Ok. Registros e licenças? Ok. Agora é hora de pensar na sua proteção jurídica e financeira.

No Brasil, o seguro de responsabilidade civil profissional existe e é usado por médicos, mas não é obrigatório por lei. Na prática, é uma decisão de gestão de risco (especialmente em especialidades mais litigiosas, atendimentos complexos ou procedimentos invasivos).

Esse seguro pode ajudar a cobrir indenizações e, frequentemente, custos/honorários advocatícios, conforme a apólice, em situações nas quais o atendimento seja questionado e resulte em alegação de dano ao paciente.

Alguns pontos importantes a serem considerados:

  • Tipo de cobertura (por ocorrência ou por reclamação): entenda como a apólice responde ao evento e qual é a “regra” de acionamento.
  • Limites da apólice (por reclamação e agregado): dimensione limites coerentes com sua especialidade, volume de atendimentos e perfil de procedimentos.
  • O que a apólice realmente cobre: verifique exclusões, cobertura para dano moral/estético, custos de defesa, atos de prepostos e se a apólice está no nome da pessoa física e/ou da pessoa jurídica (quando houver).

5. Cumpra com as regulamentações de proteção de dados (CFM, LGPD e outras)

A proteção dos dados do paciente é fundamental ao iniciar seu consultório. No Brasil, isso envolve cumprir a LGPD, respeitar as normas éticas do CFM relacionadas a sigilo profissional e prontuário e atender a exigências setoriais que podem surgir conforme o seu modelo de atendimento (por exemplo, quando há faturamento e integrações com convênios e a saúde suplementar).

Use esta lista de verificação rápida como ponto de partida:

  • Adote sistemas de prontuário/gestão com segurança real: controles de acesso por perfil, backups, criptografia quando aplicável e política de atualizações/correções.
  • Defina governança LGPD: deixe claro quem é o controlador e quem são os operadores (software, nuvem, TI, telefonia, etc.) e estabeleça procedimentos internos para lidar com dados pessoais e dados sensíveis de saúde.
  • Avalie a necessidade de Encarregado (DPO) e canal de privacidade: mesmo quando não houver obrigatoriedade prática, ter um responsável e um fluxo claro para solicitações do paciente reduz risco e melhora a organização.
  • Treine sua equipe para sigilo e proteção de dados: inclua rotinas de atendimento, recepção, WhatsApp/telefonia, envio de documentos e orientações, descarte de papéis, e resposta a incidentes.
  • Padronize a comunicação com o paciente: prefira canais e ferramentas que ofereçam controles mínimos (autenticação, registro de ações, permissões), evitando improvisos que exponham informações sensíveis.
  • Contratos com fornecedores: formalize cláusulas de proteção de dados e segurança com todos os prestadores que tratam dados de pacientes, especialmente software e serviços em nuvem.
  • Se atuar com convênios, alinhe TISS e privacidade: quando houver integração/faturamento com saúde suplementar, desenhe seus processos para reduzir exposição de dados e evitar acessos indevidos.

Organizando as operações do seu consultório

Com a base estabelecida, é hora de dar vida ao seu consultório. Listamos algumas dicas claras para criar seu consultório ideal.

6. Escolha a localização certa e monte seu consultório médico

O local escolhido para o seu consultório pode determinar o seu sucesso ou fracasso. Considere fatores como:

  • Proximidade com o seu público-alvo
  • Opção de alugar ou comprar um espaço para o consultório
  • Acessibilidade para pacientes, incluindo estacionamento e transporte público
  • Visibilidade; escolha um local com boa visibilidade a partir de ruas ou avenidas principais

Após encontrar a localização ideal, é hora de montar seu consultório. Esse checklist pode ajudá-lo a começar:

  • Materiais de escritório: internet segura, números de telefone fixo e/ou WhatsApp, equipamentos de escritório, filtro de água, ar condicionado, ferramentas para atendimento ao paciente (por exemplo, totens de autoatendimento, máquinas de cartão de crédito, etc.) e mobiliário.
  • Equipamentos médicos: mesas de exame, instrumentos de diagnóstico, equipamentos de emergência, suprimentos médicos (como luvas e máscaras descartáveis), ferramentas especializadas e equipamentos de laboratório.
  • Infraestrutura de TI e informática: computadores, impressoras, no-breaks, software médico e de gestão de consultório, outros hardwares (como webcam e headset para teleconsultas) e suporte contínuo de TI.

7. Escolha as soluções certas de software médico e outras tecnologias

Um sistema médico simplifica a gestão dos dados de saúde dos pacientes. Ao escolher um sistema para o seu consultório particular, considere:

  • Recursos como agendamento de pacientes, acompanhamento do histórico médico e ferramentas de faturamento
  • Facilidade de uso e segurança de dados
  • Um sistema integrado que ofereça prontuário eletrônico, faturamento e engajamento do paciente em uma única plataforma
  • Disponibilidade e mobilidade dos dados, com opção de acesso online e offline em diferentes dispositivos para ter os dados disponíveis em qualquer circunstância
  • Verificar avaliações e comentários feitos online sobre diferentes sistemas para saber se os usuários os recomendam

8. Configure os sistemas de faturamento médico e financeiro

Um faturamento eficiente é crucial para manter um fluxo de receita constante. A seguir separamos algumas dicas sobre como criar fluxos de trabalho e sistemas de faturamento médico eficazes para o seu consultório particular.

Em primeiro lugar: faturar internamente ou terceirizar? Eis a questão. Decida se você gerenciará a cobrança internamente ou se terceirizará para um serviço de faturamento médico confiável. O faturamento médico interno envolve a gestão dos processos de faturamento internamente, enquanto a terceirização significa contratar uma empresa externa para lidar com as responsabilidades de faturamento.

Como decidir? Depende das necessidades e recursos específicos da sua clínica. Se você deseja maior controle sobre o faturamento, o faturamento interno pode ser a melhor opção. Se você deseja expandir sua clínica e precisa de acesso a uma equipe de faturamento mais experiente, a terceirização pode ser a melhor alternativa.

Se decidir faturar internamente, é importante considerar um faturamento médico integrado. A gestão do ciclo de receita é fundamental para a saúde financeira e a estabilidade a longo prazo da sua clínica. Para manter as operações do seu ciclo de receita funcionando sem problemas, considere um software médico que integre sistema de faturamento, gestão da clínica e repasses em uma única plataforma para atender às suas necessidades de faturamento.

Esse tipo de solução pode economizar tempo e ajudar a reduzir erros humanos, eliminando múltiplas entradas de dados. Se você está considerando terceirizar sua gestão do ciclo de receita, pesquise serviços que gerenciem todo o ciclo de vida das suas faturas médicas. Selecione serviços que reduzam as tarefas administrativas e ofereçam fluxos de trabalho consistentes e monitoramento contínuo das faturas.

9. Contrate uma equipe para seu consultório

Determine suas necessidades de pessoal com base no tamanho da sua clínica e na especialidade (se aplicável). Sugestões de funções incluem:

  • Recepcionistas
  • Equipe clínica, incluindo enfermeiros e assistentes médicos
  • Especialistas em faturamento e convênios
  • Gerente da clínica

Ao abrir uma clínica particular, identificar candidatos com as habilidades, experiência e características de personalidade adequadas é essencial. Veja algumas dicas de contratação e boas práticas para integração de novos funcionários para você começar:

  • Defina as faixas salariais e os benefícios.
  • Use diversos canais de recrutamento (por exemplo, redes sociais, redes profissionais e plataformas de recrutamento específicas para a área da saúde) para encontrar o candidato ideal.
  • Realize verificações de antecedentes completas e certifique-se de que os candidatos possuam as licenças/credenciais necessárias.
  • Elabore uma descrição de cargo bem definida. Ela inclui as responsabilidades e habilidades exatas exigidas para cada posição? Ela explica detalhadamente os valores e a cultura da sua clínica?
  • Estabeleça um processo robusto de integração/treinamento para que os novos funcionários se adaptem rapidamente. Crie um manual do funcionário abrangente com políticas e procedimentos para agilizar esse processo.

10. Crie fluxos de trabalho eficientes e uma experiência do paciente otimizada

Fluxos de trabalho eficientes em consultórios médicos melhoram a experiência do paciente, simplificando processos, reduzindo o tempo de espera e aprimorando a comunicação. Isso leva a uma maior satisfação do paciente e a uma maior confiança em você, o profissional de saúde.

A otimização das operações diárias e a garantia de uma experiência excepcional para o paciente podem ser alcançadas com o uso destas ferramentas:

  • Software de agendamento de consultas que inclua a opção de agendamento online
  • Sistema de cadastro de pacientes, como formulários online
  • Plataformas de comunicação seguras para acompanhamento e lembretes
  • Sistemas online para os pacientes que sejam fáceis de usar, permitam que os pacientes agendem e atualizem consultas, assinem termos de consentimento antes das consultas e recebam documentos médicos e materiais educativos

Dica: com o HiDoctor você tem todas essas ferramentas disponíveis, de forma integrada e centralizada, e conta ainda com muitas outras funcionalidades, como prontuário eletrônico, sistema de gestão, marketing médico e mais.

Dê o primeiro passo rumo ao seu consultório particular

Abrir um consultório particular não é isento de desafios, mas há uma enorme satisfação e recompensa em trilhar seu próprio caminho profissional.

Um breve resumo:

  • Desenvolva um plano de negócios focado em serviços, custos e mercado-alvo.
  • Compreenda os requisitos legais e obtenha todas as licenças e seguros necessários para iniciar seu consultório.
  • Garanta a conformidade com o CFM, a LGPD e outras regulamentações em todas as áreas de atuação.
  • A localização é tudo.
  • Contrate a equipe certa.
  • Selecione um sistema médico completo e integrado para dar suporte à saúde financeira do seu consultório.
  • Concentre-se na experiência do paciente para oferecer o melhor atendimento possível.

Pronto para começar a criar o consultório que tanta deseja? Conte com o HiDoctor para ajudá-lo a estabelecer suas operações e oferecer um atendimento de excelência, alcançando os melhores resultados!

O HiDoctor é o único sistema multiplataforma para consultórios e o software mais utilizado por médicos e clínicas no Brasil. A Centralx conta com mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de tecnologias para a área médica.

 

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